Não sei o que vem pela frente, mas espero que seja pela frente. Ou sobre a busca por uma carteira de investimentos mais robusta.

Fala Finansfera!

Tenho investido bastante do meu tempo estudando a alocação dos meus investimentos. Não é só uma questão de rentabilidade, que importa muito, mas existem outros fatores como:
  • Disponibilidade
  • Segurança x Rentabilidade
  • Teste de stress (notícias bombas)
  • Gestão de Riscos








O ser humano conseguiu seu lugar no topo da cadeia alimentar, mesmo não sendo o mais forte, nem o mais rápido, mas principalmente pela sua habilidade de observar padrões.

Isso nos levou a de certa forma sermos capazes de prever o futuro.

Quando se diversifica os investimentos estamos fazendo um exercício de análise de cenários. Com o tempo se adquire a experiência necessária para melhorar ou apurar a nossa capacidade de encaixar a realidade atual com padrões recorrentes.

Se já vimos e experimentamos muitas coisas, podemos fazer, com confiança, o exercício de especular como nosso cenário atual irá se desdobrar no futuro. Outro exercício importante é verificar como devemos alocar nossa carteira se tudo que pensamos como mais provável estiver completamente errado. Desta forma, tentar propor uma alocação que equilibre esses riscos, mesmo que com uma rentabilidade reduzida é uma boa forma de aumentar a segurança dos seus investimentos.

Recentemente rompi com o viés de terra natal e abri uma conta de banco no exterior. Comentei sobre os preparativos e os primeiros passos para conta em corretora. Sem me aprofundar nos detalhes da justificativa, fato é que esse é o risco que mais me incomoda atualmente: No Brasil não temos segurança jurídica, nossas regras mudam muito e temos um cenário nada promissor para os próximos 3 anos devido às eleições de 2018 e as consequentes acomodações que esses grupamentos políticos farão no Estado.

Assim abri mão de juros reais de 6% para juros reais de 1,5%.

Também comecei a investir em renda variável como sócio e não como especulador. Abri mão de saber exatamente quando iria ter minha independência financeira, com uma carteira 100% renda fixa, para possuir ativos reais, que por outro lado, são difíceis de precificar.

Na renda variável, mesmo que a ação perca a liquidez (valha zero) você ainda tem a posse dos ativos reais, ou dos meios de produção necessários para gerar riquezas. Isso, claro, se você não investiu nas empresas de power point do Eike Batista.

Após essa breve introdução, apresento a distribuição do meu portfólio atual, e como pretendo que ele esteja em Dez/18. Esse processo será feito com algumas realocações e complementarmente com o dinheiro novo que usarei para rebalancear o portfólio ao longo destes próximos 3 semestre para que fique assim:

fig. 1 - Evolução do portfólio

Abaixo segue detalhamento da distrição na renda fixa e renda variável.

fig. 2 - Distribuição da renda fixa

fig. 3 - Distribuição da Renda Variável


Considero que estarei com uma carteira mais robusta, embora menos rentável.

Como podem observar vou reduzir a exposição à Renda Fixa Pré, especialmente Tesouro Direto. Essa posição garantiu boa rentabilidade no último ano, mas não acho que a curva de corte de juros continuará tão promissora a ponto de valer o risco de continuar comprado.

Aumentarei as posições pós fixadas (Selic/CDI).

Manterei recursos com maior liquidez para tentar captar as boas oportunidades que forem surgindo ao longo dos próximos 18 meses, contando especialmente com aportes robustos para aproveitar as oscilações que venham a ocorrer. De forma que não há alterações nas disponibilidades (dinheiro). Como utilizei o fechamento de agosto/2017, a aparente reserva se deu por conta do tempo necessário para processar o ACH (transferência BBAmericas para IB). 

Aumentarei substancialmente a exposição ao dólar, com todas as classes de ativos que terei disponíveis (renda fixa, ações e REITs).

Porém, na odisseia do mercado mundial, ainda não consegui grande evolução no detalhamento dos ativos que serão adquiridos. Por ora priorizarei empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos. Diversificarei conforme a oportunidade, utilizando o conceito de margem de segurança, mas ainda preciso progredir muito na definição da minha carteira radar. Tenho que trabalhar melhor o filtro de ativos, devido ao grande número de empresas que tenho acesso através da Interactive Brokers (IB). Além do mais, como expliquei no post da abertura da conta na corretora, a IB converte minha mensalidade em corretagens e o custo da diversificação não será tão alto.

O desdobramento da carteira de renda variável no Brasil foi mais fácil e consegui chegar num bom número de ativos para carteira radar com 20 ações e de 6 FIIs. Não comprarei todos os ativos, mas manterei no radar em busca de boa margem de segurança para realização de aportes. Com o tempo quero reduzir ainda mais essa lista.

Tenho tido especial interesse pelos FIIs, mas a queda na taxa de juros está aumentando o preço desses ativos. Ainda assim, parece que os fundos de papel estão sofrendo com a queda do IPCA e IGPM e isso pode criar janelas de entrada nesses ativos. Já os fundos de tijolo, apesar de estarem bem precificados quanto à queda da Selic, a grande vacância das unidades e o mercado de locação deteriorado podem ajudar no surgimento das oportunidades. Falei sobre o caso da AGCX11 aqui.

Com todos esses movimentos, espero estar com uma carteira robusta o suficiente para atravessar com bom compromisso de segurança e rentabilidade as próximas emoções da Terra Brasilis.

Grande abraço, bons investimentos e até o próximo post!!!


Disclaimer: Não sou analista certificado. Todos os ativos apresentados nesse blog são apenas ilustrativos, não representando qualquer indicação (nem de compra, nem de venda, nem de manutenção).
Este blog serve apenas para fomentar discussões e trocar experiências.
Conheça bem o mercado que você investe, pois os resultados de suas operações são de sua inteira responsabilidade.




Comentários

  1. Fala Janota!
    Por que decidiu aumentar a posição em RV e diminuir a RF? Você pretende manter essa alocação no longo prazo?

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  2. Olá Financas Cotidianas,

    Eu sempre usei renda variável como estratégia marginal, ou seja acumulação em renda fixa 90% e tentava capturar ganhos de curto prazo na renda variável. Ultimamente tenho lido muito sobre estratégia buy and hold e comecei a perceber que no longo prazo a renda variável tende a possuir certas vantagens sem incremento de risco na carteira.
    Porém confesso que o salto ficou muito grande e o motivo é basicamente risco soberano.
    Perceba que estava capturando ganhos na renda fixa com a queda dos juros. Se não sair dessa operação nos próximos 6 meses vou começar a ter rendimento negativo, pelo menos no curto prazo.
    A queda dos juros se dão pela recessão e não por um melhora real da economia.
    Nenhuma nação tem a real intenção de quitar seus empréstimos e o Brasil não tem feito nada de concreto para solucionar o problema do crescimento da dívida.
    Na minha opinião a reforma da previdência é um grande engodo, mas a narrativa convenceu.
    Uma reforma tributária que incentive o setor produtivo como um todo é a solução, não um monte de renúncias fiscais aos amigos do rei.
    Tenho muito receio de um calote, dentre outras soluções heterodoxas; impressão de moeda, Inflação mascarada, confiscos. Posso estar viajando, mas resolvi reduzir minha exposição.

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  3. Janota,

    "Assim abri mão de juros reais de 6% para juros reais de 1,5%".

    Só um adendo, você abriu mão de 6% em reais para 1,5% em dólares, ou seja, pode considerar 4% em reais pois o dólar sempre estará na casa dos 3 reais.

    Abraço!

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    1. E aí BPM!
      Faz sentido! O Hedge em dólar busca exatamente capturar isso!

      Grande abraço!

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  4. Renda fixa pra mim é só um local para guardar dinheiro enquanto não encontro boas oportunidades na bolsa. Mas isto é questão de perfil. Abraço!

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    Respostas
    1. Olá UÓ,

      Obrigado pela visita!
      Faz muito sentido isso, mas ainda não trabalhei meu perfil à essa situação.
      Na verdade entendia bolsa até pouco tempo atrás somente como especulação e usar hoje como investimento já foi um grande passo.

      Grande abraço!

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